“O POVO ELEGIDO DE DEUS É A HUMANIDADE INTEIRA”

A nenhuma pessoa no mundo em que vivemos pode ser indiferente à morte diária e persistente dos meninos e meninas da Palestina. Com dor contemplamos pelos ecrãs crianças mutiladas, órfãos, famintos que nos olham e perguntam porque temos que sofrer assim?

E nem sequer podemos balbuciar uma resposta sincera, já que nos sentimos impotentes perante tão atroz realidade e os países que financiam este genocídio não se detêm e continuam a exercer violência contra este país, sem que nenhuma organização internacional possa fazer nada em concreto. Nestes dias os presidentes reunidos na ONU denunciaram Israel e os países que o financiam como USA, no entanto, persistem em não reconhecer o direito do povo da Palestina a viver no seu território.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, levantou a sua voz com valentia para sinalizar que os fundamentalismos não ajudam à convivência democrática, pelo que nenhum povo pode arrogar-se superioridade divina a respeito de outro, já que toda a humanidade é o povo eleito e bendito de Deus e que a Palestina tem direito a viver em paz. Apontou claramente os responsáveis desta injustiça, chamou a todos os países do mundo a libertar a Palestina, a iniciar uma acção global para que cesse a via-sacra desse povo.

O povo palestiniano ficou profundamente agradecido com este gesto, numa carta que lhe dirige a poeta palestina Alaa Al Qatrawi, a quem assassinaram os seus dois filhos: “Fala Gustavo, porque temos sede de uma retórica que nos recorde que ainda fica um pequeno lugar neste mundo para a verdade”, porque, por Deus, que te ergueu como uma prova contra os silenciosos, os traidores, os cobardes e os cúmplices do nosso genocídio” “fala, porque és um irmão para cada alma oprimida em Gaza”.

Para nós como missionárias, é uma grande interpelação o sofrimento deste povo, todas as palavras que se alçam são profundamente cristãs e proféticas, como diz Gretha Thunberg que embarcou na flotilha internacional que navega em direção a Gaza: “Não tenho medo a Israel. Dá-me medo um mundo que aparentemente perdeu todo o sentido de humanidade. E o que fazemos aqui é tentar demostrar que, todavia, fica algo de humanidade, que ainda há gente disposta a dar um passo à frente quando todos os demais meios falham”.

Neste contexto e no de tantos povos que acompanhamos necessitamos seguir unindo-nos às grandes causas onde a humanidade esteja ameaçada, a dar voz e visibilidade às dores que conhecemos e que os grandes meios ocultam.

Como Missionárias Dominicanas poderíamos também ter embarcado na flotilha que navega em direção a Gaza para demostrar aos nossos irmãos e irmãs que estamos com eles, que de todos os modos nos solidarizamos totalmente com eles e elas, porque a sua dor é também a nossa.

Te pedimos Senhor da Vida, tão ameaçada e ferida, tão frágil e vulnerável que se detenha a violência para com o povo palestiniano, protege os que levantam a sua voz e os que navegam para enlaçá-lo num abraço; toda a humanidade vamos com eles e elas.

Jacqueline Sothers

Comunidade de Kirigueti

Perú.

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