Coragem perante a turbulência da vida

O teste constante para todos nós, a nível global, são os eventos catastróficos, sejam eles atmosféricos ou ambientais. O terramoto que ceifou tantas vidas e destruiu centenas de propriedades, bem como as inundações repentinas em muitos países, vilas e cidades. Muito recentemente, a experiência de assassinatos em plena luz do dia, mulheres baleadas directamente na cara, subornos em troca de abusos físicos e sexuais… Além disso, estamos a viver a realidade de longas marchas de protesto contra líderes irresponsáveis, contra a impunidade, a verdade devastadora da corrupção, a indiferença e o silêncio dos ricos e poderosos (que poderiam ter sido um farol para muitos), a busca desesperada pelo que importa enquanto as notícias falsas proliferam e muitos julgamentos e audiências no Senado são promessas vazias e culpa mútua.

No entanto, “em todas estas coisas somos vitoriosos”, como diz S. Paulo. Apesar de todos os desafios e dificuldades, a luz da esperança é despertada ao partilhar estas experiências de medo, ansiedade e dúvida com aqueles que realmente as vivem. Navegamos pelas possibilidades de deliberação, reconciliação e transparência, desde ambientes perturbadores até à procura comum de alívio, desde acordos pacíficos até à reconciliação. Cada um de nós deve continuar a trabalhar em direção à Terra Prometida.

Nas Escrituras, somos constantemente recordados — em muitas ocasiões, no Antigo Testamento e nos Evangelhos — da importância de regressarmos ao nosso círculo íntimo, a nós próprios, para considerarmos as nossas próprias falhas e os fracassos que cometemos na resolução de «pequenas batalhas», pequenas ofensas ou um pequeno erro ou engano. O Livro de Baruque 4:18-20 ensina-nos a confiar em Deus e no bem que pode vir: “Aquele que vos trouxe este mal deve livrá-los das mãos dos seus inimigos… Enquanto eu viver, clamarei ao Senhor.” É uma fonte de grande alegria manter a esperança! Trilhamos caminhos, procurando possibilidades em conjunto, continuando a depositar a nossa confiança Naquele que é fiel e verdadeiro ao longo dos séculos.

A coragem que demonstramos ao superar todos estes desafios da vida quotidiana é a fonte da mesma voz que ansiamos por ouvir no grito de guerra: “Coragem, meus filhos! Invocai a Deus…” (Baruque 4:21). Orem. Ouçam. Sejam um só. Tenham esperança.

Este Ano Jubilar da Esperança recorda-nos que todos somos portadores de esperança onde vivemos, no meio do sofrimento dos que nos rodeiam, no meio das línguas não ditas dos pobres e dos oprimidos. Podemos ser a voz daqueles que perderam a força para falar do seu sofrimento, da sua indescritível experiência de injustiça e de opressão. Que, no meio do barulho, precisamos de ouvir, pois isso está no cerne da agitação da nossa sociedade, pois nem todos têm a coragem ou a oportunidade de serem ouvidos.

MVPR, Basilan, Filipinas

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