MILHARES DE FILIPINOS PROTESTAM CONTRA A CORRUPÇÃO

Milhares de filipinos marcharam na capital do norte das Filipinas para combater a corrupção em projetos governamentais de infraestruturas, em particular no controle de inundações. Se estima que aproximadamente 1,9 bilhões de pesos (aproximadamente 33 000 milhões de dólares) se haviam utilizado nos últimos 15 anos, mas se perderam devido à corrupção.

A “Marcha do Bilião de Pesos” foi o lema da manifestação, celebrada a 21 de setembro de 2025, coincidindo com o aniversário da declaração da Lei Marcial nas Filipinas, o 21 de setembro de 1972. Este protesto foi organizado por diversos grupos: grupos religiosos, organizações da sociedade civil, organizações estudantis, sindicatos e coligações políticas. É uma chamada à prestação de contas e a transparência no governo. Os manifestantes congregaram-se no Parque Luneta pela manhã e pela tarde no Monumento ao Poder Popular, Edsa, Manila

O objetivo era ser um dia de oração com a presença de líderes de outras denominações cristãs e do islão. O presidente da Conferencia Episcopal Católica de Filipinas (CBCP), o cardeal Paulo Virgílio “Ambo” David, também esteve presente. A sua presença assegurou a todos que a Igreja continua a ser um sinal de esperança no meio da caótica situação do país, que defende a verdade e a justiça.

Na sua inspiradora mensagem, o cardeal “Ambo” recordou aos fiéis católicos: “Este evento não é um espetáculo político, senão uma postura moral; devemos resistir aos oportunistas que exploram a nossa indignação para obter benefícios egoístas”. Acrescentou que, para além do dinheiro roubado, a corrupção nos projetos de controle de inundações também se trata de futuros roubados: casas inundadas, terras contaminadas e oportunidades desperdiçadas para os nossos filhos. Também incluiu na sua mensagem um recordatório aos sacerdotes e religiosos para que vivam com transparência e responsabilidade e levem uma vida simples.

Eu estava entre os milhares de filipinos em EDSA que gritaram: “Tama na! Ikulong na ang mga kurakot!”. (E basta! Encarcerem aos funcionários corruptos!). Vivendo a minha identidade missionária e o meu sentido de pertença à humanidade, deixei que a minha voz se escutara com a minha presença no evento. Ainda que seja estrangeira e não estivesse segura, me animei a estar ali com o povo. Creio que o amor é maior que o medo. Fui com a Ir. Rosa Maria Ángeles e as nossas irmãs de Makati também estavam ali, mas devido à multidão, não nos vimos.

Elegi a melhor parte, porque a experiência foi indiscritível e irrepetível. Fiquei assombrada ao contemplar milhares de rostos, jovens e mais velhos, vestidos de branco, todos desejando e esperando uma mudança de governo e uma vida melhor. Considerando Filipinas como a minha segunda casa no meu coração, creio que um dia Deus transformará os corações destas pessoas cobiçosas para que se preocupem mais por sua própria gente, especialmente pelos pobres. Algum dia, haverá umas Filipinas melhores. Todos o desejamos.

A miúdo, como católica, escutamos porque Filipinas… Um país de Asia é o mais corrupto. A pergunta revela a realidade. Os funcionários corruptos são umas poucas elites do país. No entanto, através da manifestação, fui testemunha de que os filipinos, especialmente a gente comum, não temem dar testemunho da sua fé e lutar pela verdade e pela justiça. Foi uma manifestação pacífica e comovedora, como nunca antes havia visto. Posso dar fé de que os filipinos preferem a paz ao conflito; preferem a unidade à divisão.

Alguns se perguntam: Haverá uma mudança depois desta manifestação?

Um periodista e sociólogo filipino colocou uma pergunta importante: Que aconselharia Rizal perante as protestas e os apelos à mudança? José Rizal, considerado o primeiro herói filipino, enfatizou que libertar-nos da opressão atual corre-se o risco de uma futura tirania, a menos que empreendamos uma transformação pessoal e moral. Nos desafiou a reeducar-nos, argumentando que a construção de uma nação requer mais do que atualizar as Constituições ou mudar de líderes; começa com a intuição moral. O cardeal Ambo David fez eco disto, acrescentando que o crescimento espiritual e a consciência são essenciais, ou pelo contrário, a independência só poderia disfarçar a opressão com uma nova cara.

A mudança ocorrerá. Tarde ou cedo. Não podemos esperar resultados imediatos, já que é um processo. O mais importante é que não fiquemos calados frente às injustiças que ocorrem noutros países. Estamos chamados a ser profetas nos nossos tempos. Sejamos a voz dos irmãos e irmãs que sofrem.

Sobretudo, confiamos no Deus que caminha connosco na nossa história. Um Deus que escuta o sofrimento do seu povo: «O Senhor disse: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor, por causa dos seus opressores, porque conheço os seus sofrimentos”» (Êxodo 3:7). E a sua justiça prevalecerá, como diz o Salmo 94:15: “Porque a justiça prevalecerá e todos os moralmente retos serão reivindicados”.

Ir. Maria de Fátima Pui

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