Não se pode ser de Deus sem ser dos outros
- Hnasmdro
- noviembre 10, 2025
- Experiências MDR
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De Lima para o mundo. 144 comunidades espalhadas por cinco continentes. Estão em Angola, Camarões, Moçambique e na R. D. Congo; estão na China, Filipinas, Índia, Taiwan, Vietnam, e Timor Leste; estão na Bolívia, Chile, Equador, Guatemala, México, Peru, Porto Rico e Rep. Dominicana; estão na Austrália; estão em Espanha e em Portugal. Estão aonde ninguém mais quer estar, estão aonde são mais precisas.
Seguem, desde 1918, a voz de D. Ramon Zubieta e da Madre Ascensión Nicol, sempre à escuta do grito dos mais fracos, dos mais pobres, dos marginalizados, das vítimas de injustiça e, em particular, das mulheres.
São Missionárias. “Mulheres crentes, unidas pelo sonho de Jesus, de uma humanidade reconciliada. Acreditam na fraternidade universal e que é possível construir outro mundo a partir da diversidade e da riqueza de cada povo, comunidade e pessoa”, e por isso vivem em pequenas comunidades que compartilham vida e missão.
São Dominicanas. Buscam “na comunidade fraterna, através do estudo e da oração, as luzes necessárias para descobrir a presença de Deus no meio da nossa realidade, reconhecendo os sinais da vida e as sombras que atravessam a nossa humanidade ferida. É a Palavra de Deus que nutre o seu compromisso com o Reino e impulsiona as iniciativas e os projetos”.
São do Rosário. “Em Maria, reconhecem a fiel discípula, a mulher que trabalha e ora, que constrói a fraternidade, disponível, que se deixa amar.” Inspiradas por Maria, fazem do amor ao outro o centro das suas vidas.
Como diz a Irmã Deolinda, “Não se pode ser de Deus sem ser dos outros”.
E por isso, por onde passam dão tudo. Por onde passam dão-se. Dão inclusive a própria vida.
Por onde passam, calçam o sapato do Outro e percorrem com o Outro o seu caminho.
Por onde passam, lutam pela justiça, pela paz, pelos direitos humanos e pela igualdade.
Por onde passam, constroem pontes entre Deus e os homens e entre os próprios homens.
Por onde passam, semeiam coragem, esperança e luz e fazem nascer projetos na área da educação, da saúde, da promoção social e da valorização cultural.
Também passaram pelos Bairros 6 de Maio, Fontainhas e Estrela d’África (bairros que atualmente apenas existem no coração dos que lá viveram e cresceram) e fizeram destes bairros a sua casa. Palmilharam as ruelas estreitas, para alargar os horizontes dos que aqui viviam. Aqui, empoderaram mulheres, ensinando a ler, a escrever, a costurar, a serem autónomas. Aqui foram (e ainda são!) porto de abrigo e colo de muitas crianças que depois de crescerem nelas confiaram os seus próprios filhos. Aos jovens deram ferramentas para que os seus sonhos fossem do tamanho do mundo e não apenas do tamanho da casa minúscula ou do bairro em que viviam. Ensinaram a sonhar sem fronteiras. Cuidaram dos idosos, valorizando os seus saberes, os seus ofícios e a experiência de vida, procurando fazer da Terceira Idade uma Melhor Idade.
Por onde passam, ficam. Ficam nas palavras ditas, nas obras construídas e no coração dos que, em algum momento das suas vidas, foram tocados pela sua presença. E foram, tantos, tantos, tantos.
Maria Isabel Gomes Cunha (Bela)
