O Rosário e o Rio: A Viagem de Monseñor Ramón Zubieta a Puerto Maldonado.

No coração da floresta amazônica, onde os rios serpenteiam pela densa selva e as comunidades indígenas vivem em silenciosa resiliência, os passos de um missionário ressoavam com propósito e oração. Esse missionário era Monsenhor Ramón Zubieta y Les, um frade dominicano cuja viagem a Puerto Maldonado, no Peru, se tornaria um pilar da evangelização e da transformação social na América Latina.

 

Refletindo sobre a história de Monsenhor Ramón Zubieta y Les, sou profundamente tocado, não apenas pelos acontecimentos da sua vida, mas pelo espírito que animou a sua missão. A sua viagem a Puerto Maldonado não foi apenas uma expedição geográfica; foi uma peregrinação de fé, coragem e amor. E de alguma forma, mesmo através do tempo e da distância, sinto-me convidado a trilhar esse caminho com ele.

 

Em 1902, chegou a Puerto Maldonado, um lugar remoto e agreste onde o rio era a única estrada e a selva o único refúgio. Não veio com poder, mas com oração: com o Rosário na mão, o coração aberto ao desconhecido.

 

Imagino-o a navegar por aqueles rios, sem saber o que o esperava, mas confiando que Deus já lá estava. Essa imagem permanece comigo. Ela lembra-me que a missão não se trata de certeza, mas de presença. Trata-se de estar presente, mesmo quando o caminho é incerto, mesmo quando o terreno é implacável.

 

O que mais me comove é a sua visão para as mulheres na missão. Acreditava que as mulheres tinham um papel vital na evangelização. Esta convicção era radical para a sua época e ainda hoje ressoa. Como membro desta congregação, sinto o peso e a beleza deste legado. Estamos aqui porque ele acreditou em nós. Acreditava que o Evangelho precisava de todas as vozes, de todas as mãos e de todos os corações.

 

A vida dele desafia-me. Ele pergunta-me: Estou disposta a atravessar os meus próprios rios? Estou disposta a carregar o Rosário não apenas como uma devoção, mas como uma bússola? Estou disposta a ser missionária, não só geograficamente, mas também de coração?

 

Em honra da sua memória, levo comigo estas questões. E rezo para que, como ele, possa caminhar com coragem, servir com compaixão e confiar que o rio me levará sempre onde for mais necessária.

 

Nguyen Thi Phuong (Eres)

Noviça do primeiro ano no Noviciado da Ásia Continental

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