CORAÇÕES E PÉS ARDENTES NA JORNADA

Reflexões de um encontro de formação contínua para a Primeira Etapa da Profissão Religiosa

Um tema que toca o nosso quotidiano e perpassa toda a estrutura de ser mulher, consagrada e missionária. Questões profundas impulsionaram-nos para a ação: parar, questionar, confrontar, despertar e tomar consciência da qualidade das conversas que tivemos ao longo do percurso da vida e do tempo que dedicámos ao essencial.

Nesta fase da vida, é oportuno despertar os nossos corações e os nossos pés para a transformação; ai de mim se nada mudar! Os anos passam, e há questões que ressoam dentro de nós porque são do presente: O que é mais importante para mim? O que me cativa realmente e me faz vibrar?

Durante a reflexão, tudo nos desafiou. A Irmã Geraldina encorajou-nos a ouvir aquela voz silenciosa que habita em nós. Tudo se centrou nas nossas prioridades: Em que página das nossas vidas está inscrito o que é essencial? Sabendo que o processo de formação é contínuo e dinâmico, questionamo-nos como sentimos e vivenciamos este dinamismo. É um dinamismo que mantém os nossos corações a arder e os nossos pés em movimento? Recorde-se que somos fruto do dinamismo de um homem — Ramón Zubieta — e de uma mulher — Ascensin Nicol — que fizeram história. Encontramo-nos num momento favorável; acreditamos no poder do tesouro que trazemos dentro de nós, que nos impele a abrir novos horizontes. O caminho é nosso; é agora ou nunca!

Sentimos o chamamento de Jesus cada vez mais concretamente: deixarmo-nos apaixonar pela missão e pela teologia. É tempo de investir energia e recursos espirituais para transformar a formação numa oportunidade de conversão e transformação. Porque o mundo clama por testemunho e exige de nós novos estilos de comunidade e de missão. É urgente centrar as nossas vidas no essencial, nutrir a nossa interioridade e identidade enquanto mulheres consagradas; Para revitalizar os nossos sonhos missionários, para ter a ousadia de partir na viagem, para descobrir a sede que nos leva à fonte. Já não vivemos apenas do que os outros nos disseram ou do que ouvimos, mas experimentamos e contemplamos, e ninguém nos pode tirar isso. Transmitimos aos outros, enquanto prosseguimos o nosso caminho, o que um dia nos foi revelado em segredo.

Nos grupos de trabalho, o “sexto sentido” falou mais alto: o cuidado. As nossas vidas, os nossos relacionamentos precisam de atenção humana e de qualidade. Um cuidado que surge da profunda experiência de nos sentirmos cuidadas pelo nosso primeiro amor. Precisamos de examinar como cuidamos de cada pilar da nossa vida, para descobrir a que níveis o Espírito nos chama.

Foi-nos revelado um dom: o de sermos mulheres líderes, chamadas a uma liderança sinodal que inspira, nutre, reúne e transforma. Este espírito é urgente nas nossas comunidades. Afinal, fazemos parte da geração ponte, com o poder de criar laços, conectar, unir e vencer. Mas esta identidade deve ser alimentada pela chama da interdependência, como se evidenciava nas nossas fundadoras. Os nossos corações estiveram em harmonia durante esta formação, ardendo com os mesmos ideais que nos motivaram a sonhar juntas. Um sonho que nos leva a agarrarmo-nos àquilo que nos dá vitalidade, àquilo que torna a nossa vida e missão fecundas e enriquece as nossas relações fraternas. Os discípulos de Emaús, após reconhecerem Jesus, sentiram o coração arder e decidiram partir para partilhar esta experiência com outros; agora é a nossa vez, aqui e agora. Queremos tornar este sonho missionário uma realidade, um compromisso com a “pregação itinerante”, na qual partilharemos a nossa espiritualidade dominicana e as exortações “Laudato Si’”, do Papa Francisco, e “Dilexi Te”, do Papa Leão XIV, nas periferias existenciais, culturais e geográficas da nossa diocese.

Sentimos profunda gratidão a Deus pela boa nova que nos foi transmitida pela Irmã Geraldina, pelo facto de sermos mulheres do nosso tempo e a nossa convicção ser mais forte, a nossa sede ser firme, o que mantém os nossos corações a arder e os nossos pés firmes no caminho… Por isso, não temos medo, porque Ele vive, permanece connosco, e podemos acreditar nos nossos sonhos, acreditar no amanhã…

Irmãs Beleza, Antónia, Clara, Juleca, Rafaela e Saquina

Quelimane, Moçambique

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