QUANDO A MISSÃO SE TORNA ENCONTRO: APRENDER A PARTIR DA FRAGILIDADE E DA ESPERANÇA
- Hnasmdro
- mayo 13, 2026
- Experiências MDR
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Chegar a Filipinas foi, para mim, uma experiência que se tece entre o assombro e a fragilidade. Cada dia desperto com a consciência de estar numa terra diferente, onde os sons, os gestos e até os silêncios têm outro ritmo. Vir com o propósito de aprender o idioma e participar num curso de formação congregacional foi mais do que um objetivo académico; converteu-se num convite a deixar-me moldar, a abrir-me com humildade ao desconhecido e a atrever-me a descobrir novas formas de perceber a vida e a missão.
Não nego que o medo me tenha acompanhado. Às vezes se esconde nas palavras que não consigo pronunciar com claridade, na insegurança de não compreender tudo, na dificuldade de expressar o que habita no meu interior. No entanto, no meio dessas limitações, descubro uma oportunidade profunda: aprender a partir da vulnerabilidade, escutar com maior atenção e reconhecer que a linguagem do coração transcende as barreiras idiomáticas. Em gestos simples, em olhares acolhedores e em sorrisos partilhados, descubro que a conexão humana torna possível um diálogo que nasce desde o mais profundo.
A cultura filipina recebeu-me com um calor humano que interpela. É distinta da américa latina que levo na minha história, mas nessa diferença descubro pontes inesperadas: a hospitalidade, a alegria partilhada e a fé vivida em comunidade. Pouco a pouco vou compreendendo que não se trata de comparar, senão de contemplar, acolher e agradecer. Esta experiência alarga o meu olhar e convida-me viver com maior profundidade a minha identidade como Missionária Dominicana do Rosário.
Foi especialmente significativo ver como as irmãs acompanham com dedicação os processos formativos de professores e estudantes, apostando não só no seu crescimento académico, como também no seu desenvolvimento emocional. Esta vivência fez-se ainda mais profunda ao participar durante uma semana num treinamento de Aprendizagem Socio-emocional (SEL). Ali pude reconhecer uma missão que não se limita em transmitir conhecimentos, senão que busca transformar vidas desde dentro, cultivando a empatia, a resiliência e o cuidado mútuo. Agradeço especialmente à instituição Solidariedade, onde a irmã Nini realiza a sua missão, por abrir este espaço de aprendizagem e encontro.
Hoje reconheço-me em caminho, agradecida por tudo o que as irmãs me permitem viver e partilhar. Caminho com incerteza, sim, mas também com uma esperança que se fortalece em cada experiência. Este tempo convida-me a sair de mim mesma, a alargar o coração e o olhar. E nesse processo, vou descobrindo que a missão não é só o que faço, como também o que permito que Deus transforme em mim, através de cada encontro, de cada palavra aprendida e de cada gesto partilhado.
Winivel Peña Peña
