TECENDO A ESPERANÇA: ENCONTRANDO A DEUS NA MUDANÇA

Reflexão pessoal sobre um retiro de 6 dias com o Pe. Chuck, OP

Ao chegar ao retiro, sentia um misto de ilusão e de incerteza. O tema, «Tecendo a esperança: encontrando a Deus na mudança», comoveu-me profundamente. A mudança foi sempre uma constante na minha vida, às vezes bem-vinda outras vezes com resistência. Durante seis dias, guiada pelo Pe. Chuck, OP, descobri que a esperança é o fio condutor que une os fragmentos das nossas experiências, dando sentido às transições que enfrentamos.

Começamos com uma pergunta simples, mas profunda: O que é a esperança? Compreendi que a esperança não é apenas otimismo ou ilusão. É uma virtude teologal, uma profunda confiança nas promessas de Deus, inclusivamente quando o futuro parece incerto. A esperança nos ancora na fidelidade de Deus, recordando-nos que Ele está a tecer algo bonito, inclusivamente com fios partidos. Esta esperança naturalmente nos levou a refletir sobre o anelo pelo Reino de Deus: esse profundo desejo que sentimos por justiça, paz e amor, sinais do reino de Deus que já irrompe no nosso mundo.

O retiro também nos convidou a afrentar as nossas emoções com honestidade. A mudança desperta medo, tristeza e, às vezes, alegria. Foi-nos pedido que identificássemos os pensamentos que nos entristecem e que os partilhássemos em grupo. Este ato de vulnerabilidade foi libertador; recordou-me que Deus nos encontra não na negação, mas sim na verdade. Aferrar-me às promessas de Deus converteu-se numa forma de fortalecer-me, de recordar que a sua Palavra é imutável, inclusivamente quando tudo o resto muda.

Um dos momentos mais poderosos foi refletir sobre a mudança e o imutável. A vida está cheia de transições, mas Deus permanece constante. Aprender a discernir o que está sob o meu controle e que está fora dele me ajudou a render-me com paz. Esta entrega não foi passiva, senão ativa: uma purificação do coração, um desapego do ressentimento e do medo para que a esperança pudesse enraizar-se mais profundamente.

O Pe. Chuck recordou-nos que a esperança é segura porque se baseia no amor imutável de Deus. Esta certeza deu-me coragem para enfrentar o desconhecido. No silêncio e na oração entramos na contemplação dominicana, uma prática de contemplar a Deus com amor. Nessa quietude, senti o olhar amoroso de Jesus sobre mim: um olhar que cura, afirma e transforma. Foi nesse olhar onde comecei a vislumbrar a possibilidade de uma verdadeira mudança no meu interior, a esperança da conversão que dirige o meu coração mais plenamente para Deus.

O retiro não só se centrou na reflexão como também na ação. Fomos convidadas a trazer o nosso caminho: onde temos estado, onde estamos agora e para onde vamos. Este exercício me ajudou a ver a minha vida como um tapete, tecido com fios de alegria e de tristeza, do passado e do presente, todos avançando para um futuro cheio de esperança. Foi um recordatório de que Deus é o mestre tecedor e ainda que eu só veja fragmentos, Ele vê o desenho completo.

Ao concluir o retiro, levei comigo uma renovada sensação de esperança. A mudança já não a sentia como uma ameaça, senão como um espaço sagrado onde Deus se revela. A esperança converteu-se no fio condutor que une a minha história, tecendo confiança, renovação e amor divino em cada momento da minha vida.

Finalmente, desejo expressar a minha sincera gratidão à Província de São Luís Beltrão, especialmente à Ir. Virgínia Benito, à sua equipa e à comunidade do Noviciado Continental Asiático, pela oportunidade de participar neste retiro. Levarei comigo os seus ensinamentos enquanto continuo a tecer a esperança no tecido da minha vida diária.

Ir. Tina Bhandari

Noviciado Continental Asiático

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