A Graça de Ser Escolhida
- Hnasmdro
- julio 14, 2026
- Experiências MDR
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Uma vocação não é um fardo, mas uma dádiva. É o convite de Deus para permanecermos n’Ele, para darmos fruto e vivermos uma vida de amor e de serviço. Como nos recorda São Paulo: “A minha graça vos basta” (2 Coríntios 12:9). Esta verdade guiou-me desde o primeiro dia em que entrei no convento, enchendo o meu coração de alegria, coragem e gratidão. Ainda me lembro da alegria desse dia, uma alegria tingida por uma certa inquietação. Sentia-me feliz porque sentia o amor de Deus sobre mim, embora, em comparação com outras pessoas da minha idade, tenha entrado um pouco mais tarde. No entanto, o Seu chamamento lembrou-me: nunca é tarde para deixar tudo e segui-Lo. A Sua graça foi suficiente para que eu cruzasse aquele limiar. A minha inquietação vinha do conhecimento de que a vida dentro do convento é diferente da vida fora dele. Como poderia eu viver dignamente a partir deste chamamento? Como poderia eu deixar de lado o meu ego pelo bem dos outros e da comunidade? Não é fácil, mas a Sua graça é suficiente para que eu supere todos estes desafios.
Durante o retiro, o Padre Narciso Jr. lembrou-nos: “É por isso que estão aqui: porque ouviram e responderam ao chamamento de Deus”. Ouvir é importante, mas responder é ainda mais. Como diz a Escritura: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos” (Mateus 22:14). Lembro-me sempre do dia em que entrei para o convento. Dá-me coragem e motivação para continuar. Deus chamou-me pelo meu nome, o nome que Ele me deu através dos meus pais. Creio que Ele me escolheu desde o momento da minha conceção. O Seu amor é eterno, e a minha resposta é simples: “Eis-me aqui, Senhor”. A minha vocação vem do próprio Deus, como Jesus disse: “Não fostes vós que me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15:16). Permanecer n’Ele é dar fruto. Sem Ele, nada posso fazer.
Como noviça dominicana, aprendi que, através da oração, encontro Cristo, contemplo os Seus mistérios e testemunho a Sua presença. Sem oração, o ministério e o estudo perdem o seu sentido. Estudar é procurar a verdade; Aprofunda o meu conhecimento de Deus e capacita-me para pregar e viver. A vida em comunidade é uma escola de caridade, paciência, perdão e humildade, permitindo-me viver com alegria e abertura à transformação. A missão é serviço, evangelização e presença onde a Igreja mais precisa de nós. Estou profundamente grata à Congregação das Irmãs Dominicanas Reformadas, à minha Província na China e à Província das Filipinas, especialmente às nossas formadoras, pela sua orientação, dedicação e apoio, que me ajudaram a crescer neste caminho.
A vida consagrada significa pertencer plenamente a Cristo. Através dos meus votos, entrego-me completamente a Deus em discipulado radical. A pobreza recorda-me que o meu único tesouro é Cristo. A castidade é o amor indiviso por Deus, que santifica os meus desejos e abre o meu coração ao amor universal. A obediência é escutar com fé e humildade, discernir a vontade de Deus e entregar-me nas Suas mãos. São uma aliança de amor, uma promessa diária de fidelidade, perseverança e alegria. Assim como Jesus se entregou ao Pai, também eu me devo entregar completamente a Ele. A minha vocação é um dom, uma graça e uma aliança. Não se trata de autopromoção ou ambição, mas de responder ao amor de Deus. Tal como São Domingos, Madre Ascensão Nicol e Padre Ramon Zubieta, também eu sou chamada a praticar a oração, o estudo, a comunidade e a missão; trilho o caminho dominicano. Através da pobreza, da castidade e da obediência, pertenço plenamente a Cristo. E pela Sua graça, continuo a crescer, a servir e a viver alegremente no Seu amor. “A minha graça te basta… Permanece em mim… e darás muito fruto.” Obrigada, irmãs, por me acompanharem nesta viagem.
*Maria Nguyen Thị Nga – Noviça, Quezon City, Filipinas
