Chamadas por Cristo: Uma Viagem de Gratidão e Vocação
- Hnasmdro
- julio 14, 2026
- Experiências MDR
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Com o coração agradecido, louvo e agradeço ao Senhor o dom do nosso retiro de cinco dias em Baguio. Rodeada de paz e beleza, pude concentrar-me, refletir e entrar profundamente na presença de Deus. Estou especialmente grata às nossas formadoras, Irmã Rose e Irmã Tina, e a todas as noviças, por nos terem guiado na preparação para o nosso compromisso com o Senhor. A atmosfera serena, as refeições nutritivas e, acima de tudo, o poder da oração fizeram deste retiro uma verdadeira bênção. Através da oração, as nossas mentes abriram-se, os nossos corações aquietaram-se e os nossos espíritos elevaram-se.
No primeiro dia, o nosso tema foi “Chamadas por Cristo”: a iniciativa de Deus na vocação e a graça de sermos escolhidas. Refleti sobre a questão: Quando senti pela primeira vez o chamamento de Deus? Lembrei-me de um pôr-do-sol da minha infância. Às quatro da tarde, sozinha num monte, contemplei o céu banhado de luz. Nesse momento, ouvi um suave sussurro no meu coração: “Zélia, vem e segue-me”. Levei essa voz comigo até que finalmente respondi através da nossa Congregação. Agora compreendo que Jesus me chamou realmente, não porque seja perfeita, mas porque sou imperfeita e amada. A minha vocação é uma dádiva, e acolho-a com alegria: viver com simplicidade, partilhar o amor universal e segui-Lo para onde quer que Ele me leve.
Através da identidade dominicana, aprendi a pertencer mais profundamente a Cristo vivendo os quatro pilares: Oração: o fundamento da vida. Ela mantém-me fiel, aprofunda a minha intimidade com Deus e ensina-me a viver na verdade. Sem oração, nada posso fazer. Estudo: um caminho para o conhecimento, que me ajuda a defender a verdade, a articular a fé e a responder às necessidades do nosso tempo. Vida em comunidade: uma escola de caridade, paciência, perdão, compaixão e humildade. Ela chama-me a viver com alegria, liberdade e abertura à transformação. A minha missão: um chamamento ao serviço, oferecendo a minha vida plenamente a Deus, evangelizando os pobres e estando presente onde a Igreja mais precisa de nós. Ao preparar-me para entregar a minha vida ao Senhor, reflito sobre os votos de pobreza, castidade e obediência: uma aliança de amor. Pobreza é liberdade de coração, viver com simplicidade e confiar em Deus acima dos bens materiais. A castidade é um coração indiviso, pertencendo inteiramente a Deus e expressando amor universalmente. Obediência é escutar com humildade e fé, discernir com confiança e entregar-se à vontade de Deus; não uma submissão cega, mas uma profunda abertura. Estes votos não se tratam de perder-se a si mesmo, mas de pertencer plenamente a Deus. Como Jesus disse em Lucas 9:23: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente e siga-Me”.
Para viver autenticamente estes votos, preciso também de aceitar a minha humanidade: as minhas fraquezas, limitações e fragilidades. Pergunto-me: permito que Jesus me molde todos os dias? Muitas vezes, apercebo-me que não estou totalmente aberto. Falta-me confiança, tenho dúvidas. Contudo, Cristo convida-me a deixar que a sua graça me transforme. A cura começa quando deixo de fingir que está tudo bem. Esforço-me por praticar os três As: Consciência, Aceitação e Reconhecimento. Ao fazê-lo, posso viver com alegria em comunidade, crescer em maturidade e ter mais liberdade para amar e servir.
Este retiro lembrou-me que a vocação é uma dádiva, uma aliança e uma escolha diária. Sou chamada não porque sou perfeita, mas porque Deus me ama na minha imperfeição. Através da oração, do estudo, da comunidade e da missão, trilho o caminho dominicano. Através da pobreza, da castidade e da obediência, pertenço plenamente a Cristo. E através da consciência, da aceitação e do reconhecimento, continuo a crescer na irmã alegre que Ele me chama a ser.
Zelia Francisca Antonia Maia – Noviça, Quezon City, Filipinas
